quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ENTREVISTA DE PINTO DA COSTA (CONTINUAÇÃO) - II

SEGUNDA PARTE

J: Acreditava que ela ia escrever o livro?

PC: Eu acredito em tudo. Conforme de onde vêm as coisas acredito em tudo. E depois sei que houve contactos no Porto com várias editoras para LFV que alias vem na CS que quem a tinha levado à PJ para apresentar um agente foi o Sr .LFV em Lisboa. Isto nunca foi desmentido. Foi a Leonor Pinhão, a mando de LFV, apresentar-se à D. Quixote. A Dra. Teresa Coelho da editora telefonou para Espanha, que não queriam editar. Tiveram que garantir a compra de um determinado número de exemplares para permitir a publicação.

É evidente que agora, sabendo-se quem está por trás do livro, compreende-se o que diz o Sr. Joaquim, e a partir daí é tudo ficção. Tal é a ficção que o filme que tem origem no livro é dito que é um filme de ficção.

J: Por questões jurídicas também!

PC: Então o livro também tem que ser tomado por ficção. Agora diz-me assim: “É considerada idónea a “senhora” que vem falar?”. Se eu quiser pôr em causa ou atestar a sua idoneidade, eu não duvido dela, mas tinha que saber o seu passado. Como é que se pode considerar idónea uma pessoa que aos 16 anos o pai a interna numa casa, não direi de correcção, mas era conhecida na altura... não era para as meninas bem comportadas. Foge de lá e aos 18 ou 19 anos, sem casamento tem dois filhos, que depois tem o passado que tem, que eu tive de romper porque realmente são coisas que guardo para mim. A partir desse momento o que é que vem a seguir? Eu tive um incêndio no meu escritório onde guardava as coisas que tirei de casa, do FCP para pôr num escritório que ninguém sabia onde lá estavam. O indivíduo que foi lá chegar o fogo e na mesma noite ao escritório do Dr. Lourenço Pinto, que era meu advogado, já confessou tudo ao MP.

Na casa da Madalena, onde vivemos, fizemos um acordo. Ela deixava-me a casa onde eu tinha as tais coisas da minha vida do FCP. Pois através desse Dr. Dantas ela entregou-me a casa destruída. Chamei a GNR com o Dr. Dantas e uma advogada do seu escritório, foram identificados e tiradas fotografias. Destruída! Fios eléctricos arrancados. E o senhor que a ajudou a fazer esse trabalho já confessou tudo, até em livro. Aquilo que escreveu pormenorizadamente corresponde exactamente com as fotografias em poder da GNR. A pessoa que faz isto é considerada idónea e serve para reabrir processos judiciais? Uma pessoa que me roubou imensas coisas. Apresentei uma queixa por roubo. Dizia que não tinha nada.

A policia restituiu-me algumas coisas dizendo que foram encontradas na garagem da “senhora”. É isto uma pessoa com idoneidade? É esse critério que eu contesto!

J: Como se sente ao ver a sua vida privada exposta desta forma?

PC: Lamento sinceramente. Naturalmente que há coisas que são tabu e que cada um guarda para si. Eu guardo muita coisa para mim porque senão escrevia um Best-seller, mas é preciso ter princípios, agora quando não se tem...

Ontem ou anteontem, achei muita graça, quando o comentador da RTPN, ao comentar a Revista de Imprensa, dizia que achava graça ao facto de todos os dias invariavelmente vir uma página ou duas sobre o filme da Corrupção. Isto realmente é fantástico, parece que nunca em Portugal...

J: Foi na Revista da Imprensa da SIC

PC: Não era minha intenção fazer publicidade à RTPN! (risos)

J: Este livro é uma vingança... um ajuste de contas?

PC: Este livro não é uma vingança. Este livro é dizer assim, no dia 14 de Maio de 2006, o indivíduo que andou com ela, digamos assim, para ser um termo moderado, fez uma entrevista no CM. Estava eu no Hotel Altis e meteram-me o jornal por debaixo da porta, na véspera de um jogo do Benfica e vinha a fotografia desse sujeito a exibir um prato, um capacete e um fato meus que reconheci e ainda hoje não me foram restituídos, embora tenham dito que foram entregar na polícia ou no tribunal, a mim é que não os restituíram. Dizia nessa entrevista, em que não era inventado porque os objectos estavam identificados, o capacete até tinha o meu nome, que era o capacete com que eu ia às obras durante a construção do Estádio e ele dizia assim: “Carolina Salgado quer extorquir 500 mil euros a Pinto da Costa”. Está lá escrito. E depois foram a um Banco e raparam-me a conta, de que existe uma queixa na polícia. Como não acedi a isso, foi não só uma vingança por esse facto como também uma forma de receber dinheiro.

Há dois anos que ela não trabalha e continua a viver faustosamente!

J: Continua a manter contactos com a família..., com Ana Salgado?

PC: Não, com ninguém.

J: Não sabia sequer que ela ia fazer o depoimento no DIAP do Porto?

PC: Não. Soube que ela o tinha feito. A única coisa que eu soube da D. Ana Maria foi que um dia o Dr. Lourenço Pinto me telefonou a dizer que tinha sido contactado por ela, que tinha em seu poder objectos que eram meus que a Carolina tinha posto à guarda em sua casa e que ela achava que não os devia ter por estar indevidamente com coisas minhas, como sei através do Dr. Lourenço Pinto que lhe telefonavam para dizer que precisavam das coisas para vender.

Disse ela que recebeu das mão de Leonor Pinhão um quadro que a Carolina tinha dado ou vendido a LFV e restituiu-me esse quadro por intermédio do Dr. Lourenço Pinto.

J: A Carolina Salgado é hoje na sua vida, uma desilusão, uma frustração, um trauma?

PC: Não. Digamos... como é que lhe vou definir? Olhe, é uma coisa sem nexo. Eu guardei muita coisa, aturei muita coisa, pelos filhos, porque gostava muito deles. Portanto chegou a um ponto que entendi que tinha que me sacrificar pela minha filha e não pelos filhos dos outros.

Repito, o livro só nasce pelas ameaças do Dr. Dantas e porque, ninguém lhe queria editar o livro, LP e LFV garantiram a compra.

J: O senhor durante mais de vinte anos criou publicamente uma imagem de dirigente implacável, de um profissional do futebol, como se dizia, que adormecia e acordava a pensar no Porto. E nos últimos anos começou surpreendentemente a aparecer nas revistas cor de rosa, começamos a poder ser testemunhas de momentos da sua vida social. Arrepende-se de ter aberto essa porta?

PC: Eu não abri bem a porta. Claro que se reparar eu deixei de aparecer. Eu fui envolvido porque realmente ela tinha uma fobia, tinha uma loucura de protagonismo que não aguentava deixar de aparecer. Às vezes fui arrastado para essa situação. Eu fui casado e vivi muitos anos com a mãe da minha filha, era tão importante como presidente do Porto como agora, ou até mais, porque em 1987 o Porto tinha sido Campeão Europeu, o que era impensável, um clube português ser Campeão dava muito protagonismo, mas eu evitei sempre e continuo a evitar.

Há pessoas que não podem viver sem isso e uma certa CS também não pode viver sem essas pessoas. São o seu padrão moral e tem que as promover porque é isso que vende esse tipo de jornais.

J: Vamos ao futebol novamente, às investigações do AD e às suspeitas que já eram muito anteriores ao AD. O senhor tem ou não conhecimento de que há dirigentes desportivos que escolhem os árbitros para as partidas de futebol?

PC: Há uma coisa engraçada. Deixe-me dizer-lhe já agora, que tenho lido muitas vezes, então no CM é todos os dias. Eu combinava os árbitros com o Sr. Pinto de Sousa. Curiosamente o Sr. Pinto de Sousa não nomeava, não escolhia árbitros porque os árbitros da Liga, das Ligas que nós ganhamos eram nomeados, são nomeados, classificados e julgados pela Comissão de Arbitragem da Liga que nem sequer falavam com o Sr. Pinto de Sousa, havia um mau relacionamento e então eram dirigentes, um era até magistrado, o Dr. Cruz Pereira que nomeavam, escolhiam, julgavam e classificavam tudo. O Sr. Pinto de Sousa não tinha nada. Pois essa “senhora” veio dizer que todas as semanas ou quinzenalmente eu me juntava com o Major Valentim Loureiro para escolher os árbitros para o Porto.

J: Tudo ficção?

PC: Ficção. Quer dizer, por acaso nunca ela jantou connosco, nem eu com os três, jantar era raro, mas almoçar com um ou com o outro, até porque sou amigo do Pinto de Sousa desde os bancos de escola. Agora como é que se pode vir dizer, que credibilidade tem vir dizer, é a mesma coisa que vir dizer, olhe ele combina realmente as operações de Bolsa com aquele indivíduo que é médico! O Sr. Pinto de Sousa não tem nada a ver com os árbitros da Liga, nada, rigorosamente nada.

J: Mas a pergunta era se há dirigentes de clubes de futebol que conseguem escolher ou influenciar a escolha dos árbitros.

PC: Actualmente e desde os tempos da Liga eu penso, lá está não posso pôr as mãos no fogo, ponho por mim e desafio algum dirigente das Comissões de Arbitragem, desafio aqui algum que venha dizer que eu alguma vez, não é indicar, tenha tentado que lhe indicasse qualquer árbitro, desafio publicamente qualquer um. Agora é evidente, e por ele publicamente foi assumido, que o Sr. Pinto de Sousa, quando, dos jogos da Taça de Portugal, que eram os únicos que lhe competiam, tinha que nomear um árbitro procurava um consenso até para defesa dele que era a sua teoria. Se o árbitro errar nenhum pode dizer nada porque foi com o acordo deles. Há telefonemas do Sr. LFV para o Major VL a escolher árbitros. Há um Benfica -Belenenses em que lhe perguntam, O António Costa? Esse não porque é não sei o quê, o Fulano? Esse também não porque não dá confiança, e o João não sei quantas? Bem o João pode ser. Mas olha o que me estava prometido era “aquele”. Isso está escrito!

J: LFV é o dirigente que escolhe árbitros?

PC: Não é o que escolhe, “também” era ouvido na escolha dos árbitros para a Taça.

J: O senhor tem essa percepção, de que um árbitro é a favor de um clube ou outro a favor de outro?

PC: Não tenho essa percepção. Aquilo que eu penso dos árbitros é o seguinte, o árbitro o que quer é arbitrar bem. Porque a senhora está a entrevistar-me e não está preocupada se eu estou bem ou mal, o que quer é fazer bem o seu trabalho porque o sabe fazer e tem o seu brio. Um árbitro o que quer é arbitrar bem porque quer ser internacional, porque quer ser o melhor. Agora o que há é árbitros com critérios diferentes. Por exemplo, pode para determinado jogo, o clube gostar de ter um árbitro, não é que seja mais ou menos sério do que outro.

J: O senhor tem contactos pessoais com os árbitros antes dos jogos ou tem alguma?...

PC: Não. Agora não tem nem pode ter porque há um delegado, há um quarto árbitro, só o delegado ao jogo que é que pode ter contacto com o quarto árbitro, os outros só pontualmente.

J: Agora. Antigamente tinha?

PC: Antigamente quem ia para o banco é que era o delegado. Tinha como toda a gente tinha antes do jogo. Tinha que se ir levar as licenças, tinha que se ir buscar as coisas, tinha que se...

J: Mas recebia-os em sua casa?

PC: O único árbitro que foi a minha casa... também foi dito por essa “senhora” que ia provar árbitros. Nunca provou nada nem pode provar porque nunca foi nenhum. Dizia que tinha contratos paralelos dos jogadores do FC Porto que ia apresentar, nunca apresentou nenhum.

J: Com dinheiro que estava a ser enviado para Of shores, para paraísos fiscais.

PC: Nunca tive Of shores. Autorizo toda a gente a vasculhar a minha vida, tudo isso. O FC Porto nunca teve contas fora. Nós temos lá, até chamamos na brincadeira o gabinete das finanças, porque temos lá permanentemente fiscalizações por isto, por aquilo, pelas transferências... aquilo é visto a pente fino. Nós ainda há dias vendemos o Pepe ao Real Madrid. Ainda não estava feito o contrato e já nos estavam a pedir a factura do Empresário. O contrato tinha sido feito há um dia pelo telefone, porque as negociações vinham de há muito e até as pessoas brincam agora porque diziam assim. “Oferecemos 25 Milhões e é para acabar”, então está acabado e para começar são 30 milhões, está desfeito o negócio. No último dia perguntaram-me se podia partir ao meio. Não parte nada ao meio que o jogador tem de ir inteiro. São 30 Milhões ou nada. Sim senhor então vamos...

J: Não há dinheiro por debaixo da mesa no FC Porto?

PC: Não há. E se alguém pode provar que não há somos nós, ou então todas as fiscalizações das finanças que passam lá dias e dias e dias e vêm tudo, são incompetentes.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

ENTREVISTA DE PINTO DA COSTA À SIC NOTÍCIAS - I

Ao longo desta semana vou colocar a entrevista de Pinto da Costa à SIC Notícias, transcrita na integra.

É uma entrevista interessante, importante e longa, pelo que decidi apresentá-la por partes para se tornar mais apetecível. Desfrutem!

PRIMEIRA PARTE

Jornalista: A investigação do processo AD resultou em vinte acusações de cinquenta e seis processos que foram abertos, há mais de quinhentos casos de suspeita de falsificação de documentos, há um dos arguídos, o Sr. Pinto de Sousa que é acusado de 144 crimes e como diz o povo, onde há fumo há fogo e o que eu lhe pergunto é, neste processo nas acusações que são conhecidos o que é que é fumo e o que é que é fogo?

Pinto da Costa: Só a justiça é que poderá dizer o que é fumo e o que é fogo, agora e como falou no Sr. Pinto de Sousa eu quero-lhe dizer o seguinte, se tiver que pôr as mão no fogo pela seriedade de alguma pessoa, eu pelo sr. Pinto de Sousa ponho as minhas e tenho a certeza que não me queimo, porque os processos de que ele é acusado, os crimes como pomposamente alguns jornais puseram na sua pessoa eram formas normais, ainda que se calhar não as ideais com que os árbitros eram analisados e classificados mas como compreenderá é um assunto que eu não vou estar a prolongar-me, faço apenas esta observação na medida em que também tentaram envolver-me nisso, na Comunicação Social, nunca percebi porquê quiseram juntar-me a isso mas nesse processo não encontraram a mínima justificação para me envolver.

Agora o que eu tenho a certeza é que quando chegar a hora da justiça ser feita o Sr. Pinto de Sousa demonstrará que é realmente um homem sério.

J: O Sr. neste processo porá as mãos no fogo por muito mais pessoas?

PC: Não quero por o problema em por ou não as mãos no fogo porque eu podia dizer que ponho as mãos no fogo por toda a gente e não ponho as mãos no fogo por ninguém de toda a gente que está envolvida neste processo. O que penso é que tem havido um empolamento de pequenas coisas que em comparação com muitas coisas que sucedem na vida nacional são ridículas. Agora penso se isto não dá jeito para desviar as atenções de casos bem mais graves e a merecer maior atenção.

J: O seu peso neste processo ultrapassou o peso do FC Porto e da actividade desportiva do clube e da sua gestão. Sentiu que houve intenção de o atingir pessoalmente ao longo deste anos de investigação?

PC: Se não houvesse essa ideia generalizada não faria certamente essa pergunta e quando ma faz é óbvio que pensa que eu me posso sentir e sobretudo quando sou deparado...

J: Interpreto as suas palavras porque acabou de dizer que o tentaram envolver...

PC: Quando surgiu o AD, já nem sei há quanto tempo...

J: Em 2004

PC: Sim 2004, foram envolvidos o Presidente da Liga, o Presidente da Arbitragem, árbitros, foi envolvida toda a gente... e eu que estava a ser super, depois se veio a saber, super vigiado, super controlado, com telefones, não fui envolvido. Não encontraram nenhuma matéria para me envolver. Essa primeira fase do processo correu e toda a gente me dizia “Ai quando lá fui ser ouvido perguntavam se com o sr Pinto da Costa nunca teve nada” e toda a gente me dizia “eles querem é metê-lo a si mas realmente não conseguem”. Isto diziam-me a mim.

Quando veio a segunda leva em que fui envolvido, eu costumo dizer na brincadeira , quando era estudante tinha um amigo que sofria de ataques epilépticos e esteve internado no Hospital Conde Ferreira do Porto. Diziam-lhe que era maluco. Ele respondia que esteve internado e teve alta e não sabia se outros lá fossem parar sairiam ou ficariam internados.

Como lhe disse, chegaram ao ponto de andar a vigiar os meus cartões de crédito, a via verde, a ter carros de escuta à porta de minha casa a controlar quem entrava e quem saía. No fim, toda esta onda da corrupção no futebol, que dá para um filme, limita-se a três jogos. Um Nacional – Benfica, em que não há nada de anormal e que para o Porto tanto fazia que ganhasse um como outro porque o Benfica estava a oito pontos na fase final do campeonato e o seu treinador Sr. Camacho tinha assumido nessa semana que o campeonato tinha acabado e iriam lutar pelo segundo lugar; outro jogo FC Porto – Estrela da Amadora em que não houve rigorosamente nada e um Beira Mar – FC Porto em que o único lance duvidoso que há é um penalty a favor do Porto que não é marcado e em que nem sequer ganhamos o jogo.

Quer dizer, de tudo isto, em vinte e cinco anos, em tantos sucessos, em tantas vitórias, aparecem três jogos, dos quais tencionamos publicamente exibir os nossos dois jogos para que realmente quando as pessoas dizem “Pinto da Costa corrupção activa nestes dois jogos” verem aqueles jogos. E quando os virem possam dizer “ realmente se com toda a investigação, os carros a serem controlados, não sei se meteram ships nos meu cães, encontraram esses dois jogos. Não têm rigorosamente mais nada, não tem nenhumas escutas, não têm a falar com árbitros, não têm a falar com dirigentes, não têm rigorosamente nada.

J: Mas em relação a esse jogo Porto – Estrela da Amadora o MP afirma por exemplo que Reinaldo Teles, no final do jogo ofereceu o jantar à equipa de arbitragem em Matosinhos. São acusados e foram apanhados em escutas telefónicas Jacinto Paixão, Reinaldo Teles e o empresário António Araújo que deram a entender que a equipa de arbitragem estaria comprada pela equipa do Porto.

PC: Não, não podem dizer isso. Primeiro porque não é verdade que Reinaldo Teles tenha pago esse jantar. Há uma situação ridícula em relação a isso, já que falou em quem pagou o jantar que eu sei que nesse restaurante, no dia seguinte eu tinha lá estado a jantar com outra pessoa e foram lá perguntar se eu tinha lá estado a jantar. Disseram que sim senhor. Quiseram ver como é que tinha pago a conta. Felizmente que paguei com o cartão de crédito a despesa que creio foi de 53 euros. Esta conta para pagar a despesa de seis, sete ou oito pessoas, realmente... come-se barato nalguns sítios mas naquele não era de certeza absoluta. Quer dizer as pessoas andavam realmente... Eu acho que não houve a intenção de averiguar, houve um objectivo de tentar culpabilizar essa pessoa porque só assim...

J: De quem era esse objectivo?

PC: Eu vou ser muito claro. Quem é que sempre falou no AD? Foi o Sr. Luís Filipe Vieira! E porquê? Eu vou-lhe dizer porquê assumidamente e claramente. Ele foi, quando presidente do Alverca, visita de minha casa, ía ver os jogos do FC Porto, festejava connosco as vitórias do FC Porto. Há uma fotografia dum Porto – Benfica que ganhamos por 2-0, no tempo do treinador António Oliveira, em que sai num jornal ele à porta do balneário do FC Porto, a meu lado. Eu tinha-o mandado para dentro, estava eu, ele e o Sr. Rui Neno e ele disse ”Não eu quero que eles me vejam”, no tempo do Vale e Azevedo. Portanto ele festejava as vitórias do FC Porto sobre o Benfica, ele era visto no nosso camarote, ele é sócio do FC Porto. Quando estava no Alverca telefonava-me a festejar. Cheguei a ir ver jogos a Alverca e depois jantar com ele.

J: Então o que é que o tornou em inimigo?

PC: O Sr. LFV quando assume a presidência do Benfica tem uma marca, é amigo de Pinto da Costa. Tenho fotografias que ele me ofereceu de convívios, oferecia grandes jantares quando íamos a Alverca com os convidados todos. Convidava a comitiva do FC Porto. Punha uma limozina para nos levar para uma quinta perto de Estádio, e tinha ali um ferrete, este é amigo do Porto. Naturalmente que teve de se demarcar para entrar em guerra com o FC Porto para ganhar a simpatia dos seus adeptos.

Naturalmente que entrou como entram muitos, com fanfarronices, que vão ser campeões todos os anos, que vão ganhar tudo, vão ganhar a todos e depois não ganhava nada. Como é que se pode depois justificar o insucesso? Todas as épocas antes de começar o campeonato vão ser campeões. Compram às carradas de jogadores que são os melhores. Grandes títulos, este é mesmo bom, agora é que vai ser e coisas no género a todo o individuo que chegue. Duma assentada, recordo-me que estava a fazer umas curtas férias com o Dr. João Rodrigues que é um grande benfiquista e está lá ligado ao Benfica. O Benfica contratou 4 jogadores no defeso, O Moretto, o Marco Ferreira, o Marcel e o Manduca. Lembro-me do Dr. João Rodrigues telefonar para o Sr. Vieira e dizer: “ Presidente estou a assistir a isto, grande baile que o Sr. está a dar, fantástico!”

Passados seis meses foram todos corridos! Nenhum está no Benfica. Agora esse insucesso...

J: O senhor considera que o processo AD serve para esconder os maus resultados do Benfica?

PC: Não tenho a mínima dúvida. Repare uma coisa, quem é que falou sempre no processo AD? Com todas as escutas e todas as vigilâncias o processo resume-se a três jogos em que, repito, não houve rigorosamente nada nesses jogos. É isso que prova que o FC Porto era beneficiado.

Agora quando se perde sistematicamente, vende gato por lebre, se diz que os Manducas, Marcos Ferreiras, Marceis e Morettos são os grandes craques, que vão ser campeões e depois têm que se mandar embora porque não servem, é evidente que é muito mais fácil dizer que “Nós perdemos porque o Porto controla e os outros controlam” do que dizer assim “Nós não somos capazes, nõs compramos mal os jogadores, nós vendemos os jogadores que não devíamos vender” e é muito mais fácil as atenções para aí.

J: Mas acha fácil acreditar que uma equipa da PGR, que é a PJ Portuguesa, dedica a atenção que dedicou a um processo destes por vontade, por necessidade ou estratégia de LFV?

PC: Eu vou-lhe dizer o seguinte. O processo AD no que me diz respeito e estava envolvido, estes processos que estamos a falar foram arquivados. Não é arquivado por mim ou os meus advogados. Foram arquivados por magistrados que não conheço, que não são menos competentes nem menos rigorosos nem menos minuciosos que os da actual equipa.

J: O Senhor está a contestar... contesta na justiça a reabertura destes processos?

PC: Contesto pelo seguinte. Foram arquivados e continuaram a falar e surge o dito livro. E é esse dito livro que serve de pretexto à reabertura do processo porque é considerada pessoa idónea a pessoa que escreveu o livro. O original tem coisas que não estão no livro que saiu.

J: O senhor tem o original do “Eu Carolina”?

PC: Não tenho mas há quem tenha e sei o que lá está. O original, alias a escritora, a primeira escritora que depois a segunda é a Leonor Pinhão que foi quem fez as rectificações. A primeira escritora já o disse, até no MP segundo vem no jornal, que o livro que vem cá para fora não é o livro que ela escreveu. Há coisas que foram retiradas, outras postas e outras modificadas na edição que saiu cá para fora. E vi declarações da escritora que disse claramente, que se retirou daquilo, que estava aborrecida, porque tinha verificado que foi ludibriada por não ter percebido as intenções que estavam no livro, alias...

J: Leu o livro?

PC: Não li. Li tudo o que saiu na Imprensa, o livro não.

Há um pormenor muito importante. Há dias o sr. Joaquim Salgado foi à televisão e disse uma coisa muito importante sobre o livro. Foram tiradas duas coisas que não interessavam para o objectivo do livro. É curioso. Foram tiradas duas coisas, que eu sei o que são, que não interessavam para o objectivo.

J: Quais são?

PC: Não vou dizer porque penso que estão em segredo de justiça, uma vez que já foi apresentado no MP o livro.

Como é que nasce o livro? É preciso ver como nasce! A primeira pessoa que me falou no livro foi um tal Dr. Dantas, advogado da “senhora”que queria discutir verbas que eu ia dar ou não ia dar, e eu disse-lhe “Óh doutor o senhor...”

J: Verbas para que o livro não saísse?

PC: Não. Verbas que eu teria de dar à Carolina para fazer um entendimento. Respondi que nada tinha que dar por não ser casado com ela, nem ter intenções de o fazer. E na presença do Dr. Lourenço Pinto que esse senhor me informou que ela até poderia escrever um livro. Respondi-lhe: “Ela pode fazer um livro que eu faço o prefácio. Se ela quer escrever um livro com impacto para mostrar o que é, eu faço-lhe o prefácio”.

domingo, 12 de agosto de 2007

SE ISTO É JUSTIÇA... EU VOU ALI E JÁ VENHO!

Uma investigação ao teor das declarações da irmã gémea de Carolina Salgado - em que esta é alvo de graves acusações - foi esta semana retirada ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Ministério Público (MP) do Porto pelo vice-procurador-geral da República e remetida à equipa de coordenação do 'processo Apito dourado', dirigida por Maria José Morgado.

O inquérito diz respeito a factos mencionados por Ana Salgado no processo por difamação contra a ex-namorada de Pinto da Costa, movido pelo médico Fernando Póvoas. O depoimento, tornado público há três semanas, levantou suspeitas sobre o relacionamento de Carolina com a equipa de investigação do 'Apito dourado' e sobre o modo como foi feito o livro "Eu, Carolina". O processo entretanto instaurado no DIAP incidia sobre concretas denúncias relativas a drogas e extorsão. No último caso, José Mourinho poderia ter sido a vítima.

Segundo o semanário "Sol", Maria José Morgado terá tentado ela própria retirar o processo ao DIAP do Porto, mas viu essa pretensão recusada pelo procurador- -geral distrital do Porto, Alberto Pinto Nogueira, com o argumento de que o caso não teria conexão com o 'Apito dourado'.

O JN sabe que a procuradora terá feito esta diligência a 27 de Julho, dois dias depois de ter tomado conhecimento de um pedido de medidas especiais de segurança para Ana Salgado dirigido pelo DIAP do Porto à PSP. A solicitação viria a ser recusada, após "avaliação negativa" do DIAP de Lisboa, pelo qual Morgado é responsável.

Perante a negativa de Pinto Nogueira, Maria José Morgado deu conta do caso ao vice-procurador-geral da República, Mário Gomes Dias. Volvidos 10 dias, na semana passada, o magistrado deu ordens para o inquérito ser remetido para Lisboa.

Assim, com esta decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), Morgado irá investigar o teor das denúncias feitas pela irmã de Carolina, visando indirectamente a própria magistrada e mais em concreto um inspector da PJ da sua equipa. Em causa estão também factos envolvendo o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira e a jornalista Leonor Pinhão, entre outros.

A 28 de Julho, recorde-se, o procurador-geral, Pinto Monteiro, disse que iria instaurar um inquérito ao "teor das declarações" de Ana Salgado e "às circunstâncias em que foram prestadas".

Nuno Miguel Maia - Jornal de Notícias

Ora cá está mais uma pérola da chamada justiça à portuguesa!
Eu já posso imaginar a "isenta" investigação!
Isto nem num país do terceiro mundo!


sábado, 11 de agosto de 2007

FC PORTO 0 SPORTING 1 - LÁ SE FOI A SUPERTAÇA!

O FC Porto perdeu hoje o jogo da Supertaça Cândido de Oliveira, que se disputou em Leiria, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa.

O Sporting, seu adversário, entrou um pouco melhor no jogo e dominou, sem criar perigo, os primeiros minutos do encontro, mas o FC Porto cedo lhe foi tomando as rédeas.

Notou-se durante todo o encontro grande dificuldade na organização das manobras ofensivas, onde os avançados foram quase sempre mal servidos. A inspiração não era muita e a qualidade do futebol praticado sofreu com isso.

Helton e Bosingwa foram as exibições mais negativas, complicando o que era fácil, ao contrário do habitual.

Pela positiva destacaram-se Fucile, quase sempre bem a atacar;Paulo Assunção, muito pendular; Raúl Meireles, esclarecido; Lisandro Lopez, esforçado e Quaresma, a espaços.

Foi um resultado infeliz pois apesar da modesta prestação o FC Porto foi mesmo a que mais jogou e mais perigo criou.

Três bolas nos ferros (Quaresma 17', Adriano 19' e Kazmierczak 81'), um penalty que o árbitro não assinalou (54') e um golo de um remate espectacular de Izmailov (75') ditaram o vencedor.

Jogadores utilizados: Helton: Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Paulo Assunção (Leandro Lima 83'), Raúl Meireles (Mariano Gonzalez 77') e Marek Cech (Kazmierczak 74'); Quaresma, Adriano e Lisandro Lopez.

Suplentes não utilizados: Nuno, Bolatti, João Paulo, Edgar e Tarik.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

AH DRAGÃO!

Uma grande e verdadeira equipa vale pelo seu todo, ainda que haja sempre campo para o virtuosismo individual dos chamados "génios".

Mas não se pense que tal talento está apenas ligado ao desempenho dos atletas de eleição.

Também o nosso Presidente de vez em quando (talvez ultimamente com menos frequência do que é capaz de produzir) nos brinda com "lances" tipo "calcanhar à Madjer", "trivela à Quaresma" ou "passe de letra... à Pinto da Costa".

Surpreendidos? Então deliciem-se com parte do seu texto, publicado na Revista Dragões de Julho, na página do Presidente, que passo a transcrever:

OS MILHÕES... DA TRETA!

«Desde Aljubarrota que essa ideia dos muitos milhões me faz alguma, para não dizer muita, mas mesmo muita espécie! Na altura, como muito bem rezam as crónicas da época, os Espanhóis também eram muitos milhares e nós, valentes Portugueses, apenas uns quantos. E o resultado! Bom, o resultado é aquilo que toda a gente sabe...!

Serve este intróito para dizer que o medo dos pretensos muitos, contra os bem reais e palpáveis poucos, é coisa que não dá para assustar quem é Português e... valente!

E para que a História registe e o Povo não esqueça aí vai para a posteridade mais uma listinha de títulos, desta vez conquistados pelos nossos briosos e decididos mais jovens atletas:

- Campeão Nacional de Júniores
- Campeão Nacional de Iniciados
- Campeão Distrital de Infantis
- Campeão Distrital de Iniciados
- Campeão Distrital de Escolas


Eu sei que estas conquistas soam a muito pouco, sobretudo para os detractores ignorantes e eternos do nosso futebol de formação; mas é o que temos para lhes oferecer, e é a este guardanapo que eles têm que se limpar...»

Jorge Nuno Pinto da Costa

Este Presidente só podia ser de um grande Clube!

domingo, 5 de agosto de 2007

SAIA MAIS UM CANECO!

O FC Porto conquistou hoje o Torneio de Roterdão ao vencer esta tarde o Shenhua, por 3-0,beneficiando do empate a um golo do Liverpool frente ao Feyenoord, terminando assim em igualdade de pontos (4) mas com vantagem de golos (3-0 contra 3-1 dos ingleses)

Infelizmente não me foi possível presenciar as duas partidas disputadas pelo que não vou tecer qualquer comentário à actuação da equipa e dos jogadores que nelas participaram.

Apenas o registo, baseado no que li na CS:

1º jogo (em 03/08/2007):

FC Porto 0 Feyenoord 0 (4-4 nos penalties)

Jogadores utilizados: Nuno; Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Marek Cech; Paulo Assunção (Bolatti 67'), Raúl Meireles (Leandro Lima 79') e Kazmierczak; Adriano (Farías 75'), Lisandro Lopez (Mariano Gonzalez 75') e Quaresma (Sektioui 85')

A CS enfatizou o facto da equipa ter apresentado um bom nível de consistência mas uma grande falta de profundidade, tendo sobressaído a exibição de Quaresma.

2º Jogo (em 05/08/2007)

FC Porto 3 Shenhua 0

Jogadores utilizados: Hélton; João Paulo, Bruno Alves (Pedro Emanuel 61'), Stepanov e Lino (Marek Cech 68'); Bolatti, Raúl Meireles (Fucile 46') e Leandro Lima (Quaresma 46'); Tarik, Farías (Lisandro Lopez 30') e Mariano Gonzalez.

Marcadores: Tarik (5') e Leandro Lima (38' e 42').

Destaques para a boa exibição de Mariano Gonzalez que foi considerado o melhor em campo, Leandro Lima que fez dois golos, para Tarik que voltou a fazer pela vida, para Stepanov pela estreia com a camisola mais bonita do mundo e para Farías, que se lesionou e teve de ser substituído.

Seguem-se imagens da participação:

Slideshow, Photo Sharing, Image Hosting, MySpace Slideshows at imageloop.com make your own slideshow view all photos


Temos agora uma semana para afinar a equipa para a final da Supertaça Cândido de Oliveira que pretendemos conquistar, frente ao Sporting, em Leiria no próximo dia 11.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A CAMINHO DE ROTERDÃO

Chama-se De Kuip o estádio do Feyenoord onde decorrerá o Torneio de Roterdão que contará com a presença do FC Porto.

Para esta competição seguiram os seguintes jogadores:

Helton, Nuno e Ventura; Fucile, Bruno Alves, João Paulo, Pedro Emanuel, Stepanov, Lino e MareK Cech; Paulo Assunção, Raúl Meireles, Leandro Lima, Bolatti e Kazmierczak; Quaresma, Mariano Gonzalez, Sektioui, Adriano, Farias e Lisandro Lopez.

Ausências notadas de Fernando (cedido ao Amadora),Bosingwa (lesionado), Castro, Luis Aguiar, Edgar, Jorginho e Postiga (que poderão ser interpretadas como indícios de intenções de dispensa) e ainda de Lucho Gonzalez que tardou na apresentação mas não faltou.