quarta-feira, 12 de março de 2008

BAÚ DE MEMÓRIAS

Na continuação da evocação dos momentos de glória do nosso querido FC Porto vividos por mim com muito entusiasmo, deixo-vos com mais uma página inesquecível.

1985/1986 O BICAMPEONATO

Depois de um início prometedor frente ao Benfica, ao qual se impôs com uma vitória por 2-0 no jogo de abertura do Campeonato e onde deixou bem patente a força e ambição que norteava os campeões nacionais, o FC Porto cedeu o primeiro ponto na segunda jornada, em Vidal Pinheiro frente ao Salgueiros.

Sem rubricar exibições fulgurantes, fustigada por lesões em série, a equipa de Artur Jorge soube responder ao infortúnio com muito querer e determinação, mantendo-se nos lugares cimeiros e aproximando-se semana a semana das exibições de grande classe patenteadas na época anterior.

O FC Porto chegou ao final da primeira volta com dois pontos de atraso em relação aos seus rivais de Lisboa. Nessa altura, a recuperação de lesões de alguns jogadores que se viram privados de dar o seu contributo, como a de Eurico, por exemplo, bem como o maior entrosamento das aquisições (Eloi, Juary, Madjer, Laureta, Casagrande...) davam novo alento à formação.

A vantagem dos rivais deixava os pasquins eufóricos, apontando-os como futuros campeões. Artur Jorge, sempre muito fleumático afirmava que as contas se faziam no fim, deixando transparecer um clima de confiança que contagiava os seus jogadores. O campeonato é uma prova de regularidade e o FC Porto acabou mesmo por ser o mais regular, chegando à 28ª jornada no comando da classificação. Cada jogo era uma final, pois não se podia perder pontos. Setúbal no Bonfim e Covilhã nas Antas eram as jornadas finais. O campeonato estava ao rubro.

No Bonfim os Dragões confirmaram a sua vontade de serem campeões triunfando por 0-1.

No último jogo o Estádio das Antas engalanou-se e tornou-se pequeno para albergar todos quantos queriam assistir à consagração dos campeões.

O Jogo foi terrível. O Sporting da Covilhã não veio para facilitar, bem ao contrário. Houve muito esforço, muita expectativa, muito sofrimento e no final muita alegria.

O jogo até começou bem com o Porto a dominar e a chegar ao golo muito cedo, por André na marcação de uma grande penalidade. Em contra-ataque o Covilhã empatou terminando a primeira parte com esse resultado.

Os adeptos mantinham-se confiantes, porque o Porto jogava bem, embora não estivesse a ser eficaz. Os serranos fizeram o segundo golo e por momentos a multidão ficou incrédula, silenciosa e apreensiva. Será que o sonho se iria tornar em pesadelo?

Fernando Gomes, o Bi-bota, deu a resposta. Abriu o livro e marcou um golo de antologia. O povo não resistiu e exultou de alegria. Os bombeiros entraram então em grande azáfama para socorrer os menos resistentes a tanta emoção.

Mas o empate não era suficiente e o Covilhã continuava perigoso, nos cada vez menos frequentes contra-ataques venenosos.


Gomes voltou então a fazer o gosto ao pé, apontando o terceiro golo e lançando definitivamente a equipa para a vitória que viria a ser alicerçada com novo golo, agora por Eloi, fixando o resultado final em 4-2.

Um ano depois, as gentes do Porto voltaram a sair à rua para festejar o segundo título consecutivo, que premiou a regularidade da equipa, a organização do departamento de futebol que soube sempre responder eficazmente aos inúmeros problemas que se lhe depararam ao longo da temporada, nomeadamente através do reforço do plantel, anormalmente assolado por problemáticas lesões. O "bis" foi pois a recompensa merecida dos dirigentes, técnicos e jogadores, que formaram uma "máquina" quase impossível de travar.

Artur Jorge utilizou 28 jogadores ao longo das 30 jornadas: André, Celso, Edevaldo, Eduardo Luís, Elói, Eurico, Festas, Frasco, Futre, Gomes, Inácio, Jaime Magalhães, João Pinto, José Albano, Juary, Laureta, Lima Pereira, Madjer, Matos, Mlynarczyk, Paquito, Paulo Ricardo, Quim, Semedo, Vermelhinho, Vitoriano, Walsh e Zé Beto.


O Porto somou 49 pontos, em consequência de 22 vitórias, 5 empates e 3 derrotas. Marcou 64 golos (melhor ataque com os mesmos golos do Sporting) e sofreu 20 (2ª melhor defesa, atrás do Benfica com 13). Benfica a dois pontos e Sporting a três, foram os 2º e 3º classificados, respectivamente.

PAULO FUTRE

Atleta da formação do Sporting, foi contratado por Pinto da Costa em 1984, numa operação relâmpago, em resposta à investida dos leões aos dois jogadores do Porto, Sousa e Jaime Pacheco, que tornaram tensas as relações entre os dois clubes.

O clube lisboeta propunha-se emprestar o jogador, nessa época, à Académica de Coimbra.

Dotado de um pé esquerdo fabuloso, rapidez de execução e drible fácil, Futre encantou as Antas, Portugal e a Europa.

Foi bicampeão nacional pelo FC Porto (1984/85 e 1985/86), ganhou duas supertaças (1983/84 e 1985/86) e foi campeão europeu (1987), onde viria a ter uma exibição memorável, despertando a cobiça de grandes clubes europeus.

Foi transferido para o Atlético de Madrid por 100 mil contos (500 mil euros), protagonizando a transferência mais cara até então do futebol português. Também em Espanha Futre foi uma referência do Atlético onde ficou como um dos mais exuberantes jogadores que por ali passaram.

domingo, 9 de março de 2008

A DEZ PONTOS DO TRI


Palco do Jogo: Estádio do Dragão - Porto
Assistência: 31.109 espectadores
Competição: Bwin Liga - 22ª jornada
Hora do jogo: 19:00 h
FC Porto: Helton; Fucile, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Marek Cech; Paulo Assunção, Raúl Meireles (Lino 90') e Lucho Gonzalez; Quaresma Mariano Gonzalez 80'), Lisandro Lopez e Tarik Sektioui (Farías 71')
Suplentes não utilizados: Nuno, João Paulo, Kazmierczak e Adriano
Treinador: Jesualdo Ferreira
Árbitro: Cosme Machado - Braga
Marcadores: Quaresma (31')
Acção disciplinar: Cartões amarelos para Quaresma (69'), Paulo Assunção (81') e cartão vermelho para Mariano Gonzalez (90')




Quem se deslocou ao Dragão na expectativa de assistir a um jogo de futebol bem disputado, terá saído defraudado, tal foi o apagão colectivo com que a equipa do FC Porto brindou os seus adeptos.

Frente a uma Académica muito fechada na primeira parte, demasiado retraída e incapaz de importunar a defesa portista, os Dragões optaram por uma toada morna, relaxada e pouco inspirada, assim a modos que de um treininho para desentorpecer os músculos, demasiado castigados pelos 120' do jogo de Quarta-feira passada.

E neste ritmo sonolento o Porto foi controlando qb o jogo, que levou um safanão cerca do primeiro quarto de hora, altura em que Lucho desmarcou o seu compatriota Lisandro para este atirar para as malhas, obtendo um golo de boa execução técnica. Mas o árbitro assistente entendeu que a exibição portista não merecia tal prémio e decidiu levantar a bandeirola, assinalando um fora de jogo inexistente (mais um!).

Foi necessário esperar mais outro quarto de hora, depois de várias tentativas frustradas de colocar bem a bola ao alcance dos rematadores, para que as redes voltassem a ser violadas. Desta vez por Quaresma que disparou forte contando com a colaboração do guarda-redes Pedro Roma que ficou muito mal na fotografia (felizmente este não é dos emprestados pelo FCP, senão lá tínhamos motivos para mais um processo do Apito Dourado).

A primeira parte acabaria sem grandes motivos de interesse, a revelar muita falta de concentração.

O segundo tempo começou ainda pior. Mais confuso, mais desligado e com a mesma falta de inspiração o Porto foi-se arrastando no relvado. O resultado era favorável e os jogadores entenderam que não necessitavam de forçar muito.

A Académica aproveitou para se adiantar um pouco mais, mas sempre sem intimidar. Não conseguiu criar um único lance de perigo.

Jesualdo parecia resignado com a exibição e talvez por isso só fez alterações a partir do minuto 71. A entrada de Farías mexeu um pouco com a dinâmica atacante e os azuis e brancos, especialmente nos últimos dez minutos conseguiu finalmente criarem mais duas boas situações de golo, por Lucho e Lisandro. O primeiro atirou por cima e o segundo obrigou Pedro Roma a redimir-se do golo sofrido.

Até final ainda houve tempo para o árbitro dar o seu contributo ao fraco espectáculo, exagerando na amostragem do cartão vermelho a Mariano Gonzalez.

Salva-se o resultado, muito melhor que a performance.

O Porto fica agora a dez pontos do êxito.

sábado, 8 de março de 2008

GANHAR PARA... ESQUECER

Joga-se amanhã a 22ª jornada da Bwin Liga.
O FC Porto vai receber no seu Estádio a Académica de Coimbra, treinada pelo nosso conhecido Domingos.

É um jogo em que Jesualdo só não pode contar com Bosingwa que se lesionou frente ao Schalke 04.

Embora esse jogo europeu tenha provocado algum desgaste, face ao prolongamento a que os portistas tiveram de se sujeitar, espera-se que os atletas se apresentem com força física e anímica suficientes para levar de vencida os estudantes e dar mais um passo rumo ao tri.

Lista dos convocados: Helton, Nuno, Fucile, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Mareck Cech, João Paulo, Lino, Paulo Assunção, Raúl Meireles, Lucho Gonzalez, Kazmierczak, Quaresma, Lisandro Lopez, Tarik Sektioui, Mariano Gonzalez, Farías e Adriano.

EQUIPA PROVÁVEL
O jogo terá início pelas 19:00 h e será apitado pelo arbitro bracarense Cosme Machado.
Será transmitido na TVI.

quinta-feira, 6 de março de 2008

BAÚ DE MEMÓRIAS

Depois de falhado o tri, por uma unha negra, ainda com Pedroto no comando e Pinto da Costa na chefia do Departamento de Futebol, tendo como pano de fundo o célebre jogo entre o Guimarães e o Sporting , em que Manaca, ex-jogador leonino marcou na própria baliza com uma cabeçada digna de um ponta de lança, oferecendo o campeonato ao seu anterior clube, surgiram alguns desencontros entre o Departamento de Futebol e o Presidente da Direcção do Clube Dr. Américo de Sá.

O clima não era o melhor, sendo evidente a discordância do Presidente com a forma corajosa e atrevida com que os responsáveis pelo futebol portista enfrentavam o poder centralista que tudo fazia para manter os clubes de Lisboa na crista da onda. O Dr. Américo de Sá, deputado do CDS na Assembleia da República era literalmente pressionado para desmobilizar essa luta. Ao verificarem que o Presidente privilegiava os seus interesses políticos em detrimento dos clubista, Pedroto e Pinto da Costa renunciaram aos seus cargos, adiando desta forma, felizmente por pouco tempo, a missão de transformar o FC Porto no melhor clube português e um dos melhores do mundo.

1984/1985 DE NOVO NO TRILHO DO SUCESSO

Esse interregno durou até à época de 1982/1983, altura em que Pinto da Costa foi eleito Presidente do Clube.

Novamente com Pedroto ao leme, o FC Porto não foi além do 2º lugar desse campeonato, num ano financeiramente difícil para o Clube.

Na época seguinte Pedroto adoeceu gravemente e entregou a equipa ao seu adjunto António Morais, conduzindo-a na luta pelo título, acabando no 2º lugar a três pontos do Benfica mas garantindo as vitórias na Taça de Portugal frente ao Rio Ave por 4-1 e na Supertaça.

O ponto mais alto desta época ficou marcada pela primeira presença numa final europeia, a Taça das Taças, que viria a perder ingloriamente frente aos italianos da Juventus.

Urgia retomar o trilho do sucesso. As bases estavam lançadas.

Havia contudo, a difícil tarefa de encontrar o treinador ideal para substituir o "Mestre", cada vez mais entregue ao seu penoso destino.

Artur Jorge foi o nome aconselhado por Pedroto. Apesar da sua ainda curta experiência no cargo, levantar divergências no seio da Direcção, Pinto da Costa seguiu a sugestão do seu amigo e decidiu contratá-lo.

A pré-época 1984/1985 foi um autêntico vendaval. Jaime Pacheco e Sousa, dois jogadores do meio campo portista que tão bem tinham jogado, tornando-se jogadores chave na manobra da equipa, foram assediados pelo Sporting que os contratou ao abrigo de famigerado artigo então vigente - falta de condições psicológicas!

Em resposta, Pinto da Costa contratou o jovem Futre aos leões, deixando-os, bem como à Imprensa lisboeta, à beira de um ataque de nervos. Para colmatar a saída dos centro-campistas vieram Quim e André.

Os pasquins davam como certa a vitória do Sporting mesmo antes do campeonato começar.

Apesar de derrotado pelo Boavista na 2ª jornada, única diga-se, o Porto ia demonstrando ser capaz de lutar pelo título até ao fim. As exibições rubricadas pela equipa provavam que as aquisições feitas pelos dragões permitiam acalentar ambições. A deserção dos "insubstituíveis" pouco ou nada afectou. A equipa ganhava entrosamento e assimilava da melhor forma as características introduzidas por Artur Jorge.

À 7ª jornada o FC Porto assumiu a liderança isolada para não mais a ceder. À 18ª foi à Luz vencer o Benfica, deixando o Sporting mais directo perseguidor a 4 pontos.

A cinco rondas do final a vantagem portista era de seis pontos e competia-lhe deslocar-se a Alvalade para discutir o título. Era o jogo do tudo ou nada para os leões. A Comunicação Social procurava, com elogios e incitações, insuflar confiança nos lisboetas no sentido de encurtar distâncias, convencidos que ainda era possível destronar o Porto.

Os adeptos portistas responderam a essas provocações com uma presença maciça, encetando uma autêntica invasão a Lisboa. O topo norte do Estádio de Alvalade pintou-se de azul e branco. Era uma loucura. Parecia que estávamos a jogar em casa. Todos sabíamos que um resultado positivo era sinónimo de festa.

E assim aconteceu, o Porto empatou a zero mas passeou a sua classe, mantendo a vantagem pontual, liquidando de vez as aspirações do seu rival, aprestando-se para conquistar com brilho mais um Campeonato Nacional, feito perfeitamente justificado após uma época de domínio avassalador. Artur Jorge, seguindo o trilho do "Mestre" soube formar uma equipa coesa, homogénea e personalizada. A festa aconteceu, espontânea, pintada de azul e branco, no reduto dos leões.

Zé Beto, João Pinto, Eurico, Lima Pereira, Inácio, André, Frasco, Quim, Jaime Magalhães, Fernando Gomes, Futre, Eduardo Luis, Semedo, Vermelhinho, Quinito, Mike Walsh, Costa e Paulinho Cascavel foram os principais protagonistas da equipa.


A festa efectiva do título aconteceu nas Antas frente ao Belenenses, na 27ª jornada, a três do fim. O Sporting tinha cedido um empate em Vila do Conde e ao Porto bastava vencer para se sagrar desde logo Campeão Nacional. O Estádio encheu pelas costuras! Adivinhava-se o triunfo. A equipa não desiludiu. O Porto venceu e o povo vibrou a festa arrastando as manifestações de júbilo por toda a cidade, num S. João antecipado.

Com 26 vitórias, 3 empates e uma derrota, somando 55 pontos contra 47 do Sporting, se fez a história deste campeonato. 78 golos marcados contra 13 sofridos rendeu o melhor ataque e a melhor defesa. Fernando Gomes apontou 39 golos e juntou à bola de prata a sua segunda bota de ouro, galardão que premeia o melhor marcador da Europa. A primeira tinha sido em 1982/1983 com 36 golos.


FERNANDO GOMES

Atleta proveniente das camadas jovens, cedo começou a envergar as cores azuis e brancas. O seu nome está associado a alguns dos maiores feitos do FC Porto, o clube que ama e serviu com devoção. Foi um dos melhores pontas de lança de todos os tempos do futebol português. Para além dos Dragões representou ainda o Sporting de Gijon (Espanha) e o Sporting Clube de Portugal. No FC Porto foi campeão nacional por cinco vezes, tendo ganho ainda uma Taça dos Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia, uma Taça Intercontinental e três taças de Portugal. Jogador internacional, representou a selecção 48 vezes, ao serviço da qual marcou 13 golos. Fez parte da selecção que disputou a fase final do Campeonato do Mundo de 1986. Marcou 318 golos no campeonato português, 288 dos quais pelo FC Porto, sendo o maior goleador de sempre e uma das mais populares figuras deste Clube.

Ganhou seis vezes o troféu de melhor marcador nacional e foi por duas vezes o melhor marcador da Europa, ganhando por isso a alcunha de Bi-bota de ouro.

quarta-feira, 5 de março de 2008

NOITE DE SÃO NEUER!...

Palco do jogo: Estádio do Dragão - Porto
Assistência: 45.316 espectadores
Competição: Champions League - Oitavos-final
Hora do jogo: 19:45h
FC Porto: Helton; Bosingwa (Mariano Gonzalez 54'), Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile; Paulo Assunção, Raúl Meireles (Marek Cech 97'), Lucho Gonzalez; Quaresma, Lisandro Lopez e Tarik Sektioui (Farías 58')
Suplentes não utilizados: Nuno, João Paulo, Kazmierczak e Adriano
Treinador: Jesualdo Ferreira
Árbitro: Howard Webb - Inglaterra
Marcadores: Lisandro Lopez (86')
Grandes Penalidades: Marcou Lucho Gonzalez. Falharam Bruno Alves e Lisandro Lopez
Acção disciplinar: Cartão vermelho para Fucile (82'); Cartão amarelo para Lucho Gonzalez (103')


Não foi feliz o FC Porto nesta sua participação nos oitavos-final da Liga dos Campeões.
Com necessidade de virar o resultado negativo que trouxera de Gelsenkirchen, os Dragões apresentaram-se na sua máxima força e entraram no jogo com uma força anímica elevada que logo fez recuar os alemães para junto do seu reduto defensivo, na procura de evitar o golo portista.

Após doze minutos de clara supremacia, surgiram duas óptimas oportunidades para inaugurar o marcador que o excelente guardião alemão negou com rara felicidade. No primeiro lance Lucho desmarcou Lisandro que surgiu muito oportuno a rematar forte e na insistência Tarik apareceu solto de marcação a cabecear (julgo que excessivamente confiante no golo) para Neuer defender instintivamente.

A procura do golo continuou numa galopada insistente que durou cerca de vinte minutos de fulgor azul e branco, grande empenhamento defensivo alemão e muito brilhantismo do guardião germânico. O homem defendia tudo!

Só à meia hora de jogo, o Schalke conseguiu libertar-se um pouco do sufoco.

O primeiro tempo terminou com a terrível sensação que era impossível marcar um golo àquele guarda-redes! Nos avançados portistas notava-se a falta de centímetros para discutir os lances aéreos, a defesa muito povoada não dava muitos espaços e o guardião...

No segundo tempo o FC Porto entrou com a mesma disposição de atacar e procurar o golo para igualar a eliminatória.

A sorte foi madrasta e assim, por volta dos 50' Bosingwa depois de uma arrancada pediu a substituição por lesão muscular.

Jesualdo, leu bem o jogo e mandou entrar Mariano Gonzalez, pois os alemães quase nunca chegavam lá à frente.

O Porto continuou a atacar embora com menos fulgor e inspiração até que novo revés aconteceu.
O árbitro inglês mostrou o vermelho directo a Fucile aos 82', punição excessiva, já que o lance disputado a meio campo não teve a gravidade que o juiz lhe atribuiu, prejudicando de forma irreparável o FC Porto.

Parecia tudo perdido, mas os Dragões não se deram por vencidos e quatro minutos volvidos Lisandro pôs o Dragão em delírio. Combinação com Lucho, recebeu a bola de costas para a baliza, virou-se e desferiu uma bomba, desta vez sem hipóteses para o São Neuer.

O Porto voltava a creditar e a massa adepta também, mas o tempo regulamentar chegou ao fim sem outras oportunidades.

No prolongamento o Porto voltou a ter a oportunidade mais clara do jogo. Quaresma só com o guarda-redes pela frente, quando todos esperavam o golo atirou de forma que o guarda-redes ainda tocasse evitando o que parecia impossível. Desilusão.

Depois, até ao fim foi um jogo de músculo ou falta dele. Pedro Emanuel ainda tentou de longe evitar as grandes penalidades, mas sem resultado.

Na lotaria, a taluda saiu ao Schalke 04. Neuer voltou a ser decisivo ao defender as penalidades marcadas por Bruno e Lisandro.

E lá se foi, de forma injusta, o sonho dos quartos, aos pés dum adversário inferior que nada fez para justificar o prémio. Futebol!
Para o ano há mais!

terça-feira, 4 de março de 2008

O JOGO MAIS ANSIADO

Começou a contagem decrescente para o tão desejado jogo da Liga dos Campeões que se vai disputar amanhã no Estádio do Dragão, que se espera, tenha uma moldura humana condizente com a importância do encontro.

Segundo o professor Jesualdo, todos estão conscientes das dificuldades que os esperam, mas também confiantes nas suas capacidades, sabendo bem o que é necessário fazer para as ultrapassar.

Naturalmente que o apoio dos adeptos será muito importante. Conhecendo o entusiasmo e a força que todos juntos seremos capazes de transmitir aos nossos guerreiros, não será difícil augurar um desfecho que satisfaça as nossas ambições.

Jesualdo tem todos os jogadores mais cotados à disposição e por isso pode apresentar-se na máxima força.

Lista dos convocados: Helton, Nuno, Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile, João Paulo, Marek Cech, Paulo Assunção, Raúl Meireles, Lucho Gonzalez, Kazmierczak, Quaresma, Lisandro Lopez, Tarik Sektioui, Mariano Gonzalez, Farías e Adriano.

Não creio em surpresas na equipa inicial.


EQUIPA PROVÁVEL

O jogo está aprazado para amanhã no Estádio do Dragão pelas 19:45h.
O árbitro do encontro será o inglês Howard Webb.
Transmissão na RTP1

Oxalá a sorte que costuma acompanhar os audazes nos faça companhia.

sábado, 1 de março de 2008

PROFESSOR QUIS, PROFESSOR TEVE

Palco do jogo: Estádio do Bessa XXI
Competição:
Bwin Liga - 21ª jornada
Hora do Jogo
: 21:15 h
FC Porto: Helton; Fucile, João Paulo, Stepanov e Marek Cech; Paulo Assunção Raúl Meireles 78'), Kazmierczak e Lucho Gonzalez (Quaresma 46'); Mariano Gonzalez, Adriano e Farías (Tarik Sektioui 71')
Suplentes não utilizados: Nuno, Bruno Alves, Lino e Hélder Barbosa
Treinador:
Jesualdo Ferreira
Árbitro:
Duarte Gomes - Lisboa
Acção disciplinar:
Cartões amarelos para Adriano (10'), Lucho Gonzalez (28'), Raúl Meireles (86') e Tarik Sektioui (92')

Em noite de poupanças, Jesualdo fez questão de confirmar que o jogo mais importante é o de Quarta-feira frente ao Schalke. O FC Porto não escapou também à poupança no resultado e à consequente cedência de pontos. Poderei mesmo afirmar, pelo que o jogo deu, que o professor foi um bom amigo do Boavista.

Apesar de tudo o FC Porto até podia ter ganho pois teve as melhores oportunidades, mas creio que o resultado final não escandaliza tendo em conta a entrega dos axadrezados, como se esperava.

Ficou, contudo mais uma vez patente que os habituais titulares são peças praticamente insubstituíveis, principalmente quando duma assentada ficam de fora tantos e tão bons. Desse exagero dependeu a exibição de hoje, naturalmente muitos furos abaixo das expectativas. Se a defesa não comprometeu, ainda que não se possa considerar imaculada, daí para a frente, pese embora as boas prestações de Paulo Assunção e Lucho Gonzalez, a organização ofensiva pecou por demasiados passes transviados com Kazmierczak a não acertar um passe e a insistir na colocação longa da bola, que invariavelmente morreu nos pés dos adversários. Surpreendentemente jogou o tempo todo!

Lá na frente, quase sempre mal servidos, Farías e Adriano andaram perdidos. Mariano Gonzalez alternou o bom com o mau e só se assistiu a um Porto de qualidade quando Quaresma (que entrou na segunda parte) puxou dos galões, numa altura em que o Boavista passou a jogar com dez, por expulsão de Diakité, quando decorria o minuto 76. Aí sim, surgiram as mais flagrantes oportunidades de golo. A bola chegou a ser introduzida na baliza boavisteira, por Stepanov, golo prontamente anulado por pretenso fora de jogo. Também Quaresma fez esbarrar a bola na barra, gorando-se a oportunidade.

Agora só resta esperar que Jesualdo confirme positivamente a sua perspectiva e que a economia de hoje se reverta num resultado favorável na Quarta-feira. A ver vamos.