quinta-feira, 17 de junho de 2010

MOMENTOS AZUIS E BRANCOS NO MUNDIAL

BRUNO ALVES

RAUL MEIRELES


JORGE FUCILE



ÁLVARO PEREIRA


Craques do FC Porto

terça-feira, 15 de junho de 2010

O MEDO TOLHEU A EQUIPA


FICHA DO JOGO

(Clicar nos quadros para ampliar)

O fraco desempenho da selecção nacional, que hoje empatou no primeiro compromisso do Mundial, frente a uma equipa com uma imponente compleição física, ficou a dever-se em muito ao medo evidente de assumir o jogo.

Incapaz de apresentar argumentos para derrubar a organização defensiva da Costa do Marfim, os portugueses enveredaram por uma toada morna, cautelosa, de passe para trás, sem qualquer progressão no terreno e, em consequência sem possibilidades de criar oportunidades. A única de que dispôs, saiu dos pés de C. Ronaldo, num remate de meia distância que o ferro da baliza adversária se encarregou de desfazer, já os ponteiros do relógio tinham percorrido mais de vinte minutos de jogo.

Frente a equipas que privilegiam o jogo defensivo, só conheço uma forma de vencer os obstáculos: rapidez e criatividade. Estas qualidades estiveram completamente ausentes do Mandela Bay Stadium.

Carlos Queiroz ter-se-à excedido na mensagem, quer para o grupo, quer para a generalidade dos portugueses, da importância de não perder o primeiro jogo. O repisar da ideia terá influenciado a forma como a equipa encarou este jogo.


Bruno Alves e Raul Meireles, as duas unidades portistas, utilizadas neste encontro estiveram iguais a si próprios. O defesa, sem grande volume de trabalho, foi sempre seguro e o médio muito trabalhador.

Segue-se a selecção da Coreia do Norte, no dia 25. Outra equipa defensiva, que não sendo tão forte fisicamente, vai colocar o mesmo tipo de dificuldades. A abordagem portuguesa terá de ser muito mais corajosa, senão...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

QUE PORTUGAL?

Vai começar amanhã a participação portuguesa na fase final do Campeonato do Mundo de futebol, que está a ser disputado na África do Sul.

Depois de uma qualificação algo atribulada, apesar do favoritismo inicial apontado à nossa selecção, onde não foi além do segundo lugar, conquistado já na recta final da prova, obrigando a equipa das quinas a disputar com a Bósnia Herzgovina uma eliminatória de repescagem a que se submeteram os melhores segundos lugares, o sorteio colocou-nos no Grupo G, já chamado Grupo da morte, com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil.

O seleccionador nacional Carlos Queiroz elegeu os seguintes jogadores:

FC Porto (Por): Beto, Rolando, Bruno Alves e Raul Meireles
Braga (Por): Eduardo
Sporting (Por): Pedro Mendes, Miguel Veloso e Liedson
Benfica (Por): Fábio Coentrão
Chelsea (Ing): Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Deco
M. United (Ing): Nani
Málaga (Esp): Duda
R. Madrid (Esp): Pepe e Cristiano Ronaldo
A. Madrid (Esp):
Tiago e Simão
Valência:
Miguel
Lille (Fra): Ricardo Costa
Weder Bremen (Ale)
: Hugo Almeida
Zenit (Rus): Dany
Iraklis (Gre): Daniel Fernandes

Nani, lesionado já na África do Sul, foi substituído pelo benfiquista Rúben Amorim.

As principais surpresas foram, as escolhas de Daniel Fernandes e Ricardo Costa.


Para o primeiro jogo com a Costa do Marfim, a ser jogado na cidade de Port Elizabeth, subsistem algumas dúvidas quanto à equipa inicial a apresentar por Queiroz.

O guarda-redes Eduardo e os centrais R. Carvalho e B. Alves, parecem-me consensuais. Já nas laterais, Miguel ou Paulo Ferreira na direita e F. Coentrão ou Duda na esquerda não me parece muito definido. No meio campo, face à inferioridade física de Pepe, creio que não haverá dúvidas. Pedro Mendes, Deco e Raul Meireles devem ser os escolhidos. Na frente de ataque Liedson e C. Ronaldo devem ser os efectivos recaindo a dúvida na utilização de Simão ou Dany.

A equipa portuguesa deslocou-se de avião para cumprir os mais de mil quilómetros que separam o «quartel-general» em Magaliesburgo, localidade próxima de Joanesburgo, de Port Elisabeth, cidade onde vai ser disputado o primeiro jogo de Portugal.

Conhecida como "A Cidade Amiga", ela é cercada por praias paradisíacas, ao mesmo tempo que ostenta um dos portos mais movimentados do país. Nelson Mandela Bay/Port Elizabeth é considerada o centro da indústria automobilística do país e fica localizada na província de Eastern Cape, de onde saíram alguns dos sul-africanos mais ilustres do país, como o próprio Mandela, o ex-presidente Thabo Mbeki e vários líderes da luta contra o apartheid, com destaque para Steve Biko, Chris Hani, Walter Sisulu e Oliver Tambo.

Localizado na margem do Lago North End, o Estádio Nelson Mandela Bay é o primeiro dedicado ao futebol na cidade e arredores. Construído de raiz para o Campeonato do Mundo da FIFA 2010, ele ficou pronto um ano antes de se iniciar a maior competição do planeta.

O estádio vai sediar a disputa pelo terceiro lugar e uma partida dos quartos-de-final, além de outros seis jogos. Entre os atractivos, estão o singular desenho da cobertura e a vista espectacular para o Lago North End.

EQUIPA PROVÁVEL

Competição: Mundial/2010 - África do Sul
Palco: Nelson Mandela Bay Stadium - Port Elizabeth
Data e hora:15 de Junho de 2010, às 15:00 h
Árbitro: Jorge La Rionda - Uruguai
Transmissão: RTP 1

sábado, 12 de junho de 2010

ALEMANHA 2006

Já com o brasileiro Luiz Felipe Scolari no comando da selecção portuguesa e após um segundo lugar no europeu jogado em Portugal, a equipa nacional parecia ter conquistado uma nova abordagem para as grandes competições.

Inserido num Grupo de qualificação bastante acessível, composto por Letónia, Estónia, Liechtenstein, Rússia, Luxemburgo e Eslováquia, Portugal concluiu a qualificação com 9 vitórias e três empates, estes consentidos frente ao Liechtenstein (2-2), Eslováquia (1-1) e Rússia (0-0), todos na casa dos adversários. Realce para as gordas vitórias caseiras, frente à Rússia (7-1), Luxemburgo (6-0) e Estónia (4-0) e ainda para a vitória extra-muros, frente ao Luxemburgo (5-0).




O sargentão escolheu os seguintes jogadores para o acompanharem à Alemanha:

FC Porto: Ricardo Costa
Braga: Paulo Santos
Sporting:
Ricardo e Caneira
Benfica:
Quim, Petit, Simão e Nuno Gomes
Chelsea:
Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Maniche
Valência:
Miguel e Hugo Viana
Estugarda: Fernando Meira
Everton: Nuno Valente
Barcelona:
Deco
Dínamo de Moscovo:
Costinha
Lyon: Tiago
Inter Milão:
Figo
Fulham:
Boa Morte
Manchester United:
Cristiano Ronaldo
Paris St-Germain:
Pauleta
Saint Étienne:
Hélder Postiga

A aposta incidia, na sua grande maioria, no grupo de jogadores de 2004 e a grande desilusão (ou talvez não) seria a não inclusão do portista Ricardo Quaresma!

O sorteio colocou a equipa das quinas no Grupo D, na companhia de México, Angola e Irão.

A saga começou a 11 de Junho em Colónia, frente a Angola do benfiquista Pedro Mantorras. O resultado foi uma magra vitória por 1-0, golo apontado por Pauleta aos 4'.


A equipa de Scolari alinhou com: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Petit (Maniche 72'), Tiago (Hugo Viana 83'), Cristiano Ronaldo (Costinha 60'), Figo e Simão; Pauleta.


Seguiu-se o Irão, a 17 de Junho, em Frankfurt, com nova vitória, agora por 2-0, com golos de Deco (63') e Cristiano Ronaldo de penalti (80').

A equipa alinhou com: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha e Maniche (Petit 67'); Figo (Simão 88'), Deco (Tiago 80') e Cristiano Ronaldo; Pauleta.


A 21 de Junho, em Gelsenkirchen, Portugal defrontou e venceu o México. 2-1 foi o resultado final, com golos de Maniche (6') e Simão de penalti (24'), reduzindo Fonseca (29').


O sargentão apresentou: Ricardo; Miguel (Paulo Ferreira 61'), Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Caneira; Petit e Maniche; Figo (Boa Morte 80') Tiago e Simão; Hélder Postiga (Nuno Gomes 69').


Portugal, após dois mundiais falhados (México/86 e Coreia-Japão/02), voltava a qualificar-se só com vitórias para os oitavos-de-final, onde nos tocaria a Holanda, que defrontaríamos a 25 de Junho, em Nurembergue. O resultado foi mais uma vitória portuguesa, por 1-0, golo de Maniche aos 23'.

Scolari fez alinhar: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha e Maniche; Figo (Tiago 84'), Deco e Cristiano Ronaldo (Simão 34'); Pauleta (Petit 46').

Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Ricardo, Nuno Valente, Pauleta, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Costinha; Em baixo: Figo, Deco, Maniche, Miguel e Cristiano Ronaldo.

Na eliminatória seguinte (quartos-de-final) de novo a Inglaterra, ansiosa por uma vingança sobre o combinado luso. Mas pouca sorte tiveram, chegados às grandes penalidades (após um 0-0 no prolongamento) tiveram a mesma sorte, que em 2004 e perderiam por 3-1.

Como em 66 Portugal voltava a marcar presença nas meias-finais de um Mundial e não havia um único português que na altura não sonhasse com a taça nas mãos do capitão Luís Figo.


O jogo realizou-se a 1 de Julho, em Gelsenkirchen e a equipa de Scolari alinhou com: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Petit e Maniche; Figo (Hélder Postiga 86'), Tiago (Hugo Viana 74') e Cristiano Ronaldo; Pauleta (Simão 63').


Nas meias surgiu a França que tantas agruras nos tinham causado em confrontos anteriores. Tão fatal quanto o destino, os gauleses tornaram-se uma vez mais nos nossos carrascos. Um golo de Zidane aos 33', de penalti, tirou Portugal da final de Berlim. Depois do Euro 84 e do Euro 2000 a França voltava, numa meia-final, a afastar Portugal de atingir o sonho.

O confronto teve lugar a 5 de Julho. Munique foi a cidade palco. A selecção de Scolari alinhou com: Ricardo; Miguel (Paulo Ferreira 62'), Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha (Hélder Postiga 75') e Maniche; Figo, Deco e Cristiano Ronaldo; Pauleta (Simão 68').


A 8 de Julho, em Estugarda, a selecção de Scolari jogava pelo orgulho e pela medalha de bronze, para deste modo igualar o feito dos Magriços em 66 mas em vão, pois a equipa da casa, Alemanha, venceria por 3-1 e ficava com o 3º lugar do seu Mundial.

Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Ricardo, Pauleta, Nuno Valente, Ricardo Costa, Fernando Meira e Costinha; Em baixo: Maniche, Deco, Simão, Paulo Ferreira e Cristiano Ronaldo

Ricardo; Paulo Ferreira, Ricardo Costa, Fernando Meira e Nuno Valente (Nuno Gomes 69'); Costinha (Petit 46') e Maniche; Cristiano Ronaldo, Deco e Simão; Pauleta (Figo 77'), foram os protagonistas.

Nuno Gomes (88') foi o marcador do golo português e Petit (60') também marcou, mas na baliza errada e Schweinsteiger fez o resto.

Sem dúvida, o quarto lugar manteve a selecção no estrelato!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

COREIA/JAPÃO 2002

Pela primeira vez na História do Campeonato do Mundo de Futebol, a FIFA decidiu permitir uma inédita organização conjunta da prova, com a honra a caber à Rep. da Coreia e ao Japão.


Sob o comando de António Oliveira Portugal voltava a marcar em 2002 presença na fase final de um Mundial, exactamente a terceira. Foi necessário esperar mais 16 longos anos!

Portugal abriu a fase de qualificação em Setembro de 2000, com 3-1 à Estónia em Tallin, golos de Rui Costa, Figo e Sá Pinto. Um mês depois empate 1-1, na Luz com a Irlanda. Com Vítor Baía lesionado, a guarda da baliza foi parar às mãos de Quim. A 11 de Outubro, vitória em Roterdão, 2-0 golos de Sérgio Conceição e Pauleta. Em Andorra, dois golos de Figo e um de Pauleta. Nas Antas 2-2, frente à Holanda com golos de Pauleta a seis minutos do fim e de Figo de penalty em cima dos noventa! Seguiu-se a Irlanda, em Dublin com empate a um golo. Figo foi o seu marcador. Finalmente o passeio: 6-0 ao Chipre, Pauleta, João Pinto e Pedro Barbosa bisaram; 7-1 a Andorra, quatro de Nuno Gomes, Rui Jorge, Pauleta e Sérgio Conceição marcaram os restantes; A Estónia fechou a caminhada da qualificação com outro resultado volumoso, 5-0, marcaram Nuno Gomes dois, João Pinto, Pauleta e Futre.

Para a fase final, António Oliveira convocou os seguintes jogadores:

FC Porto: Vítor Baía, Jorge Andrade e Capucho
Boavista:
Ricardo, Frechaut e Petit
Sporting:
Nélson, Beto, Rui Jorge, Paulo Bento, Pedro Barbosa e João Pinto
Benfica:
Caneira
Marítimo: Kenedy
Charlton:
Jorge Costa (por empréstimo do FC Porto)
Liverpool:
Abel Xavier
Milan:
Rui Costa
Inter:
Sérgio Conceição
Fiorentina: Nuno Gomes
Lázio:
Fernando Couto
Panathinaikos: Paulo Sousa
R. Madrid:
Figo
Bordéus: Pauleta

Antes do embarque Kenedy foi apanhado no controlo anti-doping tendo seguido no seu lugar Hugo Viana (Sporting).

Tidos como um dos candidatos ao título mundial a par de Brasil, Alemanha, Itália, ou Argentina, os portugueses desiludiram muito e mais do que isso mostraram uma falta de fair-play enorme, envergonhando uma nação inteira.


Colocado no Grupo D, com a Rep. Coreia, Polónia e Estados Unidos, o sorteio parecia ter favorecido os portugueses.

Qual quê! a dolorosa realidade chegou logo no primeiro jogo perante os Estados Unidos da América... que ainda antes da meia hora de jogo já esmagavam Portugal por 3-0! Um golo de Beto e um auto-golo de um defensor norte-americano, atenuaram a derrota mas não chegaram para afastar a ideia de escândalo. 2-3 foi o resultado final.


Na foto, da esquerda para a direita, em cima:Vítor Baía, Paulo Bento, Pauleta, Fernando Couto, Jorge Costa e Beto; Em Baixo: Sérgio Conceição, Petit, João Pinto, Rui Jorge e Figo

No jogo seguinte a selecção de Oliveira ainda daria um ar de sua graça na sequência de uma goleada aplicada à Polónia por 4-0, com três golos de Pauleta e outro de Rui Costa. A esperança renascera ficando no ar a ideia de que a estreia fora apenas um daqueles dias em que não se pode sair de casa.

O apuramento dependia do jogo contra a Coreia do Sul. Um simples empate qualificaria a equipa das quinas. Um golo de Ji Sung Park atirou a selecção para buraco da humilhação. Derrota mal digerida criando focos de desorientação e indisciplina culminados com a reacção intempestiva e inadmissível de João Vieira Pinto, socando no estômago o árbitro argentino do encontro Angel Sanchez, após mostragem do cartão vermelho.


Portugal acabaria eliminado sem honra nem glória!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MÉXICO 1986

Vinte anos depois (!), Portugal voltava de novo a uma fase final do Campeonato do Mundo. O «bom gigante» José Torres (o nº 18 da selecção de 66), estava ao leme da selecção com os adjuntos Jaime Graça e Marinho.

De peso eram os nomes das selecções que constituíam o Grupo de qualificação de Portugal: RFA, Suécia, Checoslováquia e Malta.

A 12 de Setembro de 1984 arranque em Estocolmo, 1-0, golo do portista Fernando Gomes. Depois, nas Antas, 2-1 à Checoslováquia, golos de Diamantino e Carlos Manuel. À terceira jornada Suécia de Ravelli, Stromberg, Prytz e Larsson, em Alvalade, 1-3. Madrugador o golo de Jordão, depois o inferno!


Em La Valette 3-1 a Malta, dois golos de Gomes e um de Carlos Manuel. No Jamor mais uma derrota, 1-2 com a Alemanha. E logo outra em Praga, 0-1. Torres não perdia a esperança e fazia contas. Tudo ainda era possível, mesmo ir ganhar à Alemanha!
«Deixem-me sonhar, que isso não paga imposto» foi a frase que ficou célebre.

A 14 de Outubro de 1985, 3-2 a Malta, na Luz. Dois golos de Gomes e um de Rafael. Quatro dias depois, em Estugarda, o visto para o México no pontapé maravilha de Carlos Manuel! o sonho transformado em realidade.

José Torres, o Seleccionador Nacional, estabelecia jogos de preparação: Finlândia (E. 1-1), Luxemburgo (V. 2-0) e a RDA (D. 1-3). No final eram conhecidos os 22 convocados definitivos para a grande aventura mexicana:


FC Porto: João Pinto, Inácio, Jaime Magalhães, André, Futre e Gomes
Boavista: Frederico e Ribeiro
Benfica: Bento, António Oliveira, Veloso, Álvaro, Carlos Manuel, Diamantino e Rui Águas Sporting: Damas, Morato, Jaime Pacheco e Sousa
Belenenses:
Jorge Martins, José António e Sobrinho

Veloso acabaria por ficar de passaporte rasgado por controlo de doping positivo. Bandeirinha (Académica) foi o seu substituto. 12 de Maio de 1986, chegada da comitiva portuguesa a Saltilho, rodeada de forte dispositivo de segurança, onde previra montar o seu quartel-general, a 2300 metros de altitude.



No final desse mês, Bento, na condição de capitão da equipa, lançou a confusão: ou a FPF aceitava negociar o montante dos prémios ou os jogadores entrariam em greve!Foi quiçá o momento mais embaraçoso do futebol português além fronteiras em termos de selecção. As divergências entre jogadores e dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol no que concerne aos prémios de jogo e outras questões burocráticas contribuíram fortemente para uma pobre participação na fase final. A qualidade do Europeu 84 continuava lá e a esta juntava-se a estrela-emergente Paulo Futre, conferindo mais poder à turma nacional. Contudo, nenhuma dessas qualidades foi aproveitada e Portugal saiu pela porta pequena do Mundial ainda na 1ª fase.

Portugal ficou num grupo considerado acessível, com Inglaterra, Polónia e Marrocos. A 3 de Julho de 1986, em Monterrey, a equipa nacional começou da melhor maneira. Digamos que foi uma pequena vingança sobre a Inglaterra. Um golo de Carlos Manuel selava um triunfo por 1-0 no jogo de estreia. Estava assim vingada a derrota do Mundial 66 diante dos súbditos de Sua Majestade.

Portugal alinhou com: Bento; Álvaro, Frederico, Oliveira, Inácio; Diamantino (aos 83' José António), Jaime Pacheco, André, Sousa; Carlos Manuel e Gomes (aos 73' Futre).

Esta vitória não dissipou problemas. Os jogadores concretizaram as ameaças e fizeram greve a alguns treinos. Além disso Bento fracturou uma perna na véspera do segundo jogo.

A 7 de Junho, também em Monterrey, Portugal defrontou a Polónia e perdeu por 0-1, com golo de Smolarek.

Portugal alinhou com Vítor Damas; Álvaro, Frederico, Oliveira, Inácio; Diamantino, Jaime Pacheco, André (aos 73' Jaime Magalhães), Sousa; Carlos Manuel, Gomes (aos 46' Futre).

A vergonha maior ainda estava para chegar para as cores nacionais, pois após a derrota com a Polónia, veio o desaire escandaloso frente a Marrocos por 1-3 (golo português a ser apontado por Diamantino), jogo disputado em Gualadajara a 11 de Junho.

Portugal alinhou com: Vítor Damas; Álvaro (aos 55' Rui Águas), Frederico, Oliveira, Inácio; Jaime Pacheco, Jaime Magalhães, Sousa (aos 69' Diamantino), Carlos Manuel; Gomes e Futre.

Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Frederico, Jaime Magalhães, Oliveira, Álvaro e Vítor Damas; Em baixo: Inácio, Jaime Pacheco, Sousa, Gomes, Futre e Carlos Manuel.


O Mundial acabava da pior maneira para os "infantes" (assim ficou conhecido o grupo que esteve no México 86) . Mau de mais para ser verdade...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

RECORDANDO INGLATERRA/1966

Com o decorrer do defeso e a fase final do Campeonato do Mundo à porta, inauguro hoje um espaço dedicado à selecção nacional, dirigido preferencialmente às participações da equipa principal nos mundiais de futebol.

A primeira grande aparição da equipa nacional numa grande competição planetária aconteceu em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amesterdão (Holanda).

O torneio olímpico era, à época, o maior certame futebolístico do mundo, dado que nem o Mundial nem o Europeu de futebol tinham visto a luz do dia, razão pela qual o país dispensou a maior das atenções à participação nacional.

Chegados a Amesterdão, os estreantes portugueses tiveram de ultrapassar uma fase eliminatória frente ao Chile a quem venceram por 4-2, depois de estarem a perder por 0-2. O portista Waldemar Mota foi uma peça importante, apontando um dos golos.

Seguiu-se a Jugoslávia, com a vitória lusa por 2-1 e respectiva qualificação para os quartos-de-final da prova. O sonho instalou-se na comitiva portuguesa bem como no povo, que em Portugal enchia as praças das grandes cidades, para ansiosamente recolherem as notícias difundidas pela Rádio Marconi.

Foi o Egipto o adversário que terminou com esse sonho ao vencer Portugal, por 2-1.

Esta selecção portuguesa foi recordada por muitos anos por ter sido a primeira a levar a uma grande competição mundial a nossa bandeira. Nomes como Vítor Silva( Benfica), Jorge Vieira (Sporting), Waldemar Mota (FC Porto), Carlos Alves (Carcavelinhos) e Pepe (Belenenses), ficaram gravados a letras de ouro na história do futebol lusitano.

O Campeonato do Mundo de futebol começou a disputar-se, de quatro em quatro anos, desde 1930, mas Portugal só conseguiria a sua primeira qualificação em 1966. Para trás tinham ficado modestas participações nas qualificações, jogadas em moldes diferentes dos actuais, que nem os êxitos europeus do Benfica conseguiram alterar.

Sob o comando de Manuel da Luz Afonso (seleccionador nacional) e Otto Glória (treinador), Portugal arrancou, finalmente, em 1965, para uma campanha que viria a cotar-se como a melhor prestação que alguma vez Portugal conseguiria, em termos de mundial.

Turquia (5-1 e 1-0), Roménia (2-1 e 0-2) e a Checoslováquia -finalista vencido do Mundial/62- (1-0 e 0-0), foram os adversários com quem Portugal discutiu o apuramento.

Lote dos 22 jogadores escolhidos para a fase final:

FC Porto: Américo (1), Festa (22) e Custódio Pinto (19)
Leixões: Manuel Duarte (15)
Belenenses: José Pereira (3) e Vicente (4)
Benfica: Germano (5), Coluna (10), Simões (11), José Augusto (12), Eusébio (13), Cruz (14) e Torres (18)
Sporting: Carvalho (2), Peres (6), Figueiredo (7), Lourenço (8), Hilário (9), Morais (17), Alexandre Baptista (20) e José Carlos (21)
V. Setúbal:
Jaime Graça (16)

(entre parênteses o número da camisola)

Coube à Inglaterra organizar a fase final da prova


O sorteio de Londres não foi favorável. Encaixado no Grupo 3 (cidades de Liverpool e Manchester), cabia a Portugal defrontar nada mais nada menos do que o Brasil, campeão em título, a Hungria e a Bulgária. A crítica apresentava as primeiras duas nações como favoritas do grupo.

Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Alexandre Baptista, Jaime Graça, Hilário, Vicente, Morais e José Pereira; Em baixo: José Augusto, Torres Eusébio, Coluna e Simões

Pela primeira vez a participar num Mundial, Portugal enfrentou a experiente Hungria no seu jogo de estreia, tendo vencido por 3-1, com golos de José Augusto (2) e José Torres. No encontro seguinte nova vitória, desta feita ante a Bulgária, por 3-0, com tentos de Eusébio, José Torres e um auto-golo de Vutsov. Com estes dois resultados os Magriços estavam já apurados, de forma surpreendente para quem inicialmente nada dava por eles, para a fase seguinte.

Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Germano, Jaime Graça, Festa, Hilário, Vicente e José Pereira; Em baixo: José Augusto, Torres, Eusébio, Coluna e Simões.

No derradeiro jogo do grupo Portugal enfrentou a selecção mais popular e poderosa do Mundo, o Brasil. Contrariando todas as previsões os bravos portugueses fariam mais uma exibição de luxo ridicularizando o Brasil do "rei" Pelé por 3-1, com dois golos de Eusébio e outro de Simões.

Os quartos-de-final ofereceram um dos jogos mais emotivos de sempre numa fase final de um Mundial, o Portugal - Coreia do Norte. Uma reviravolta inacreditável de 0-3 para 5-3 conferiu aos portugueses o estatuto de grande surpresa e revelação do torneio e a Eusébio, autor de quatro golos neste jogo, o título de grande estrela do Mundial de 66.

O sonho dos comandados do técnico brasileiro Otto Glória terminou de forma inglória na catedral de Wembley ante a selecção da casa. Inglaterra que venceria então por 2-1 os portugueses e avançavam assim para a grande final. Eusébio marcaria o tento de honra da selecção nesse encontro.

A aventura nacional no certame terminaria com a conquista do 3º lugar, após uma vitória ante a ex-União Soviética por 2-1 no relvado sagrado de Wembley na sequência de golos de Eusébio, que para além de estrela-mor do torneio sagrou-se igualmente o melhor marcador com 9 golos, e José Torres.

Dos três os portistas que fizeram parte desta selecção, Américo (guarda-redes), Custódio Pinto (médio) e Festa (defesa-direito), só este último foi utilizado em três dos seis jogos disputados (Bulgária, Inglaterra e U.R.S.S.).

Os «Magriços», nome porque ficaram conhecidos, são ainda hoje considerados como uma das melhores equipas nacionais de todos os tempos.