Deu os primeiros pontapés, no Desportivo local. O mestre Artur Baeta reconheceu-lhe talento e trouxe-o para as Antas. Corria então o ano de 1964. Ingressou nos juniores ainda com idade de juvenil e foi logo campeão da categoria cuja equipa integrava entre outros, Artur Jorge, Vieira Nunes e Sucena.A chamada à equipa principal não tardaria. Flávio Costa iria lança-lo, com apenas 18 anos, num jogo contra o Benfica, nas Antas, com a tarefa de vigiar Mário Coluna, o «motor» dos lisboetas, missão extraordinariamente executada pois não permitiu ao benfiquista explanar o seu futebol, para além de rubricar uma grande exibição que esteve na base de uma saborosa vitória por 2-0. Chegou mesmo a capitão, assumindo-se como a estrela da companhia.
Pavão tornou-se um ídolo para a maior parte dos portistas! Era um jogador genial, com uma visão de jogo impressionante, um predestinado dos mais dotados jogadores portugueses que vi jogar. O facto de ter sido jogador do FC Porto tê-lo-há impedido de alcançar uma maior projecção ao nível da Selecção Nacional.
A auspiciosa carreira viria a ser brutalmente interrompida, no dia 16 de Dezembro de 1973, num jogo, no Estádio das Antas, frente ao Vitória de Setúbal, equipa então treinada por Pedroto que liderava o campeonato, a contar para a 13ª jornada. Aos 13 minutos de jogo, quando os Dragões já ganhavam e as bancadas estavam em festa, depois de ter ganho um lance a meio-campo e endossado a bola com rigor milimétrico a António Oliveira, Pavão deu mais um passo em frente e caiu de bruços. O médico do Clube, Dr. José Santana, assistiu o atleta no lugar da queda e ordenou que fosse transportado para o Hospital de S. João, apercebendo-se imediatamente da gravidade da situação.
O jogo prosseguiu sob uma atmosfera quase dramática. Ao intervalo, aos altifalantes do estádio, apelava-se à calma indicando uma indisposição como razão da ida de Pavão ao Hospital. No final do encontro, foi anunciada a sua morte na sequeência da difusão da notícia pela rádio. Foram momentos de estupefaccção, dor e lágrimas que não consegui evitar e jamais esquecerei.


















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