Nem sempre a autarquia esteve voltada de costas para o FC Porto, como na gestão de Rui Rio. Alias, será mais correcto dizer-se que só com este presidente a Câmara portuense assumiu essa atitude. Ao contrário, todas as outras presidências, com maior ou menor exuberância, souberam, sem medos nem complexos bacocos, reconhecer a importância que os títulos nacionais e internacionais do Clube mais representativo, representam para a cidade, para a região e para o país.
Foi contudo na gestão do Dr. Fernando Gomes que esse reconhecimento atingiu o seu auge, razão pela qual decidi, em forma de homenagem , atribuir à evocação que se segue um título sugestivo.
Foi contudo na gestão do Dr. Fernando Gomes que esse reconhecimento atingiu o seu auge, razão pela qual decidi, em forma de homenagem , atribuir à evocação que se segue um título sugestivo.
1991/1992 PORTO/CIDADE E PORTO/CLUBE EM COMUNHÃO

Como de costume, a Comunicação Social lisboeta começara a antecipar o vencedor final, tendo em conta que um dos clubes da sua cidade se encontrava cheio de vedetas pagas a peso de ouro, o que naturalmente originou uma reacção contrária nos balneários das Antas, que sob o comando do brasileiro Carlos Alberto Silva se uniu e encontrou serenidade bastante para afastar fantasmas e imbuir-se do espírito de vitória.
O FC Porto deu, ao longo de toda a prova, uma exemplar lição de colectivismo, de entreajuda, de capacidade de entrega e de inesgotável espírito de sacrifício individual ao serviço do colectivo.
Passeando pelos estádios um invejável rigor táctico, uma preparação física sem falhas e uma força psicológica incomparável, o resultado final só poderia ser o êxito concretizado com inteligência e eficácia, deixando o seu mais directo perseguidor à distância de dez pontos.
Passeando pelos estádios um invejável rigor táctico, uma preparação física sem falhas e uma força psicológica incomparável, o resultado final só poderia ser o êxito concretizado com inteligência e eficácia, deixando o seu mais directo perseguidor à distância de dez pontos.
Foi um campeão justo que não falhou nos grandes e decisivos momentos, não se deixa
ndo abater pelos ambientes hostis, sempre pronto a lutar de igual para igual, onde quer que fosse.
Foi assim na deslocação a Alvalade, na 18ª jornada com uma saborosa vitória portista por 0-2, jogo que, por se revestir de grande importância para o Sporting, pois a vitória significaria a reentrada na discussão do título, foi objecto de campanhas moralizadoras leoninas durante os dias que antecederam a partida. A perfeição defensiva e a eficiência atacante determinaram o vencedor, mesmo jogando em inferioridade numérica por expulsão de Fernando Couto aos 22 minutos.

Foi assim na deslocação a Alvalade, na 18ª jornada com uma saborosa vitória portista por 0-2, jogo que, por se revestir de grande importância para o Sporting, pois a vitória significaria a reentrada na discussão do título, foi objecto de campanhas moralizadoras leoninas durante os dias que antecederam a partida. A perfeição defensiva e a eficiência atacante determinaram o vencedor, mesmo jogando em inferioridade numérica por expulsão de Fernando Couto aos 22 minutos.
Alvalade ficou em silêncio perante a avalanche de bom futebol produzido pelos Dragões. Foi mais um passo decisivo na caminhada para o título.

Cerca de 100.000 espectadores encheram o estádio da Luz que apresentou uma considerável mancha azul e branca, numa manifestação invulgar de crença na equipa. A deslocação de tantos portistas acabou por ser premiada com um jogo emocionante e bem jogado. O ambiente era de festa e a pressão tremenda.
Os últimos minutos foram infernais. O marcador só funcionou aos 64 minutos, a favor do Porto, por João Pinto, respondendo o Benfica oito minutos depois por Wiliam. Os derradeiros seis minutos, foram um festival de emoções, pela vertigem de sucessão de golos de quase insuportável intensidade dramática: 1-2 por Kostadinov (84'), 2-2 por Iuran (85') e 2-3 por Timofte (89'). Um autêntico terramoto desportivo!
A partir deste jogo ficou feita a história do campeonato.
Carlos Alberto Silva foi feliz na forma como se encaixou no esquema de trabalho do FC Porto. Começou por aproveitar tudo o que de bom Artur Jorge lhe deixou e, lentamente, foi introduzindo a sua concepção de jogo.
Teve de lutar contra uma onda de lesões pouco habitual, durante quase toda a primeira metade da prova e sempre que possível apostou num núcleo base constituído por Vítor Baía, João Pinto, Fernando Couto, Aloísio, André e Rui Filipe, que lhe garantiram solidez defensiva e consistência a meio-campo. Na baliza, Baía esteve 1169 minutos sem sofrer golos, record de eficácia nacional. Na frente, a dupla Domingos-Kostadinov impunha respeito.
O carimbo matemático foi colocado no estádio do Bessa, frente ao Salgueiros, na 31ª jornada, onde o Porto venceu por 0-1, golo de Domingos.
A consagração final aconteceu nas Antas em 17 de Maio de 1992., frente ao Guimarães, também por 1-0. O estádio estava a abarrotar num ambiente de festa e os jogadores sentiram que os adeptos queriam nesse dia, mais uma alegria, mais uma vitória. O golo surgiu aos 67' num remate espectacular de João Pinto. A precipitação dos adeptos que só já pensavam na festa e na forma como arrancar as camisolas dos jogadores, originaram uma evasão prematura que a boa vontade da polícia, da equipa de arbitragem e dos jogadores e dirigentes do Guimarães, tornou possível restabelecer.
Teve de lutar contra uma onda de lesões pouco habitual, durante quase toda a primeira metade da prova e sempre que possível apostou num núcleo base constituído por Vítor Baía, João Pinto, Fernando Couto, Aloísio, André e Rui Filipe, que lhe garantiram solidez defensiva e consistência a meio-campo. Na baliza, Baía esteve 1169 minutos sem sofrer golos, record de eficácia nacional. Na frente, a dupla Domingos-Kostadinov impunha respeito.

O carimbo matemático foi colocado no estádio do Bessa, frente ao Salgueiros, na 31ª jornada, onde o Porto venceu por 0-1, golo de Domingos.
A consagração final aconteceu nas Antas em 17 de Maio de 1992., frente ao Guimarães, também por 1-0. O estádio estava a abarrotar num ambiente de festa e os jogadores sentiram que os adeptos queriam nesse dia, mais uma alegria, mais uma vitória. O golo surgiu aos 67' num remate espectacular de João Pinto. A precipitação dos adeptos que só já pensavam na festa e na forma como arrancar as camisolas dos jogadores, originaram uma evasão prematura que a boa vontade da polícia, da equipa de arbitragem e dos jogadores e dirigentes do Guimarães, tornou possível restabelecer.
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Utilizou um total de 27 jogadores, mas só 12 participaram em mais de 20 jogos e só quatro (Vítor Baía - 34, João Pinto - 33, Aloísio - 33 e Fernando Couto - 32) estiveram em mais de 30 jogos.
Terminou com 56 pontos em 34 jogos, com 58 golos marcados (2º melhor ataque) e 11 golos sofridos (melhor defesa).
Um comentário:
Belas recordações, que pena não podermos tirar uns anos a dois ou três jogadores dessa equipa.
A tradição da equipa ir à Câmara brevemente vai ser alterada, pois não acredito que os portuenses voltem a reeleger esse "senhor" que gere a autarquia portuense.
Um abraço
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